Curiosidades, Doenças...


Índice


A Cervicalgia
Diagnóstico diferencial de uma "Dor na Perna"
Dor e Osteopatia
Músculo
O Neurónio
Osteopatia e a lei do menor esforço
Patologia: Miastenia Gravis e Osteopatia
Patologia: Osteoartrose
Quente ou Frio
Tratamento em Osteopatia da Osteoartrose



Segunda-Feira dia 11 de Fevereiro de 2013`
Osteopatia e a "lei do menor esforço"



Na biosfera em que nós humanos nos inserimos, existe uma tendência para a poupança de energia, visto que segundo Antoine Lavoisier "na Natureza nada se cria, nada se destrói tudo se transforma" e seguindo esta máxima todos os seres vivos incluindo o Homem tendem a gastar o mínimo de energia possível (lei do menor esforço/melhor desempenho possível), porque adquirir energia do meio exterior sempre foi bastante difícil (ultimamente nem tanto para a maioria das pessoas dos países desenvolvidos, mas será um tema que irei abordar posteriormente). Esta lei esta inserida nos nossos genes e como irei explicar é uma das principais causas dos problemas músculo-esqueléticos.
Por exemplo trabalhar de pé Vs trabalhar sentado.
Trabalhar de pé está provado que tem um maior beneficio para a saúde, quer ao nível músculo-esquelético quer ao nível cardiovascular (quando acompanhado de pequenos movimentos/mudanças de posição), “Em pé é melhor para as costas do que sentado. Aquela postura [em pé] fortalece os músculos das pernas e melhora o equilíbrio, diminui o impacto da gravidade sobre as vertebras. Queima mais calorias do que sentado. Também é um grande antídoto para a formação de coágulos de sangue profundos nas pernas. Quando você se sentar por longos períodos, o fluxo sanguíneo diminui por entre as pernas. E o fluxo sanguíneo lento pode definir o cenário para um coágulo sanguíneo se formar. Ficar em pé e andar espremem as válvulas nas veias das pernas, empurrando o sangue para cima em direcção ao coração”. (In The Many Benefits of Standing at Your Desk).

Então se é tão benéfico para a saúde porquê que continuamos sentados?!
A resposta está novamente na "lei do menor esforço" como foi referido acima estar em pé traduz-se por gasto maior de calorias, gasto este que esta directamente relacionado com os músculos dos membros inferiores que juntamente com os músculos da coluna regulam o equilíbrio do corpo (o equilíbrio em dois membros é extremamente difícil e bastante dispendioso energeticamente). Ao estarmos sentados não estamos a gastar essa energia, e o nosso corpo congratula-nos com a sensação de prazer, que vai reforçar ainda mais a ideia que estar sentado é benéfico porque "sabe bem", estar sentado vai modificar o centro de gravidade do nosso corpo e toda a carga do tronco e membros superiores, vai-se acumular na zona lombar inferior L4/L5 e zona sagrada, com o tempo vão começar a aparecer as primeiras dores Lombares, de inicio dores musculares ("moedeira e sensação de mau estar") depois começará a intensificar-se e nem mudando de posição vão diminuir, seguidamente começará a existir desgaste articular, quer ao nível discal (discopatias) quer ao nível vertebral e assim piorando sucessivamente...
Um osteopata tem o dever de tratar a sintomatologia e a origem, normalmente se estiver num estado inicial uma consulta é suficiente para alivio prolongado dos sintomas, mas se não existir uma mudança de hábitos por parte do paciente o problema vai voltar, por esse motivo é que o Osteopata irá aconselhar e explicar ao paciente o que está a fazer de mal e sobretudo O PORQUÊ de estar a fazer mal, dizer simplesmente que está a fazer mal mas não dar qualquer explicação do porquê é meio caminho andado para que o paciente não faça o que lhe pedimos, porque ele não entende a razão. Costumo dizer aos meus pacientes que faço 20% do tratamento, os restantes 80% é ele que os faz no seu dia-a-dia, e os pacientes que fazem o que “Nos osteopatas indicamos” são os que tem melhor qualidade de vida e são também os que nos visitam menos vezes no consultório, não porque estejam zangados ou desiludidos, mas porque não tem necessidade.

Cumprimentos
José Ribeiro Osteopata



Domingo dia 23 de Setembro de 2012


Cervicalgia


A cervicalgia é a dor na coluna cervical (pescoço) e muitas vezes se apresenta também com dores irradiadas para um dos membros superiores (braços, antebraços e mãos), devido a uma compressão de uma raiz nervosa.
As causas podem ser as mais variadas: discopatias cervicais (protusão e hérnia de disco), artrose, uncoartrose, contracturas musculares, e até mesmo psicossomáticas.
Está intimamente ligada a actividades laborais/fisicas que exijam movimentos repetitivos ou sobrecarga dos membros superiores e condições ergonómicas inadequadas.
 A pessoa costuma apresentar uma rigidez cervical, dor, com dificuldade de movimentar-se e também atitude antálgica (alteração da postura para evitar e/ou diminuir a dor) e por muitas vezes dormência e perda de força em um ou nos dois membros superiores. O diagnóstico clinico é primordial, observando-se os sinais e sintomas do paciente. Exames complementares como raio-x, tomografia computadorizada e ressonância magnética são utilizados para auxiliar a detectar qual estrutura é a responsável pelo quadro apresentado.
A osteopatia tem vindo a destaca-se como uma das terapias que mais sucesso tem neste tipo de problemas, no entanto como referi acima os exames complementares são sempre importantes para diagnosticar a origem do problema.




Segunda-Feira dia 12 de Dezembro de 2011


Músculo

Os músculos são estruturas anatómicas caracterizadas pela contracção (são capazes de diminuir seu comprimento) como resposta a diversos tipos de estímulos. As contracções movimentam partes do corpo, inclusive órgãos internos; músculos dão forma ao corpo; músculos produzem calor.
Existem três tipos de músculos:


 Foto microscópica de células de um músculo liso.
·         Músculo liso: suas células são fusiformes, pequenas; sem estriações e com núcleo único e central. Encontrados nas paredes das vísceras ocas e dos vasos sanguíneos; na íris e no corpo ciliar do bulbo do olho e nos folículos pilosos. Sua contracção é fraca, lenta e involuntária.










Foto microscópica de células de um músculo cardíaco.
·         Músculo cardíaco: células com ramificações, confluências e estrias transversais, unidas nos extremos por junções complexas (discos intercalares) e com núcleo único e central. Constitui o miocárdio. Sua contracção é rítmica, forte, contínua e rápida; actua bombeando o sangue do coração; também é involuntária.











Foto microscópica de células de um músculo esquelético.
·         Músculo-esquelético: suas células são cilíndricas, grandes, longas, sem ramificações e com estrias transversais e núcleos múltiplos. Formam os músculos fixados ao esqueleto, às fáscias dos membros, da parede do tronco, da cabeça e do pescoço. Sua contracção é forte, rápida, intermitente; actua primeiramente para produzir movimentos ou para resistir à gravidade.







Quarta-Feira dia 30 de Novembro de 2011



O Neurónio

É a estrutura básica do sistema nervoso, comum à maioria dos seres vertebrados.
O cérebro humano possui entre 10 000 000 000 e 100 000 000 000 neurónios, estes vão cooperando entre si interagindo uns com os outros, pois cada neurónio do cérebro humano está ligado a centenas ou milhares de outros neurónios. Assim, estima-se que existe 100 000 000 000 000 e 1 000 000 000 000 000 de conexões entre os neurónios. Este número é muito inferior ao número estimado para que o conexionismo no cérebro seja total.

Nos mamíferos o sistema nervoso é protegido por um crânio e por uma coluna vertebral. Para que o tecido nervoso não venha a ser danificado quando em contacto com o osso existe entre eles um fluído cerebrospinal (liquido encefalorraquidiano) que faz com que o sistema cerebral se encontre em suspensão hidráulica.
Os neurónios dos mamíferos têm a particularidade de pouco após o seu nascimento, não se dividirem mais. Não existe a substituição de neurónios logo após a sua morte. Alguns sistemas neuronais têm a particularidade de existir uma competição para estabelecer conexões entre neurónios e, se os contactos funcionais não forem apropriados, a célula morre.

Estrutura do Neurónio

O neurónio é constituído por uma célula principal (cell body), por dendrites, por um axónio e na sua extremidade existem estruturas designadas por sinapses.
As dendrites têm como função fazer o processamento e integrar as correntes sendo o resultado da computação propagado ao longo do axónio até às sinapses, em que as correntes de saída são as correntes de entrada de outros neurónios. As sinapses fazem com que a célula influencie a actividade das outras células.

Existe a crença por parte dos cientistas de que a eficiência das sinapses pode variar e estas eficiências são a chave do entendimento da natureza da computação neuronal.





Terça-Feira dia 22 de Novembro de 2011






Tratamento em Osteopatia da Osteoartrose
Hoje em dia existe uma ideia errada, de que não existem respostas terapêuticas para o tratamento da Osteoartrose e que o melhor é suportar as dores. Esta ideia é ultrapassada e é também absurda. Não existe uma terapêutica que possa curar ou inverter uma articulação degenerativa, no entanto, é possível nas fases iniciais, diminuir a dor e a rigidez articular, melhorar os movimentos e a capacidade funcional do paciente, proporcionando-lhe uma melhor qualidade de vida. 

Tratamentos.

O tratamento da artrose é sintomático tendo como principal objectivo o alivio da dor, a restauração da função articular e a prevenção da incapacidade ou progressão da doença.

• Esclarecimento sobre a doença: salientar que a doença não é sinónimo de envelhecimento e está relacionada com a capacidade funcional, sendo que a intervenção terapêutica trará um aumento de qualidade de vida.

• Motivar e envolver o paciente no seu tratamento. O paciente é um protagonista activo no seu programa terapêutico.

• A prática de exercício deve ser estimulada e orientada por um profissional habilitado. O Osteopata tem conhecimentos de fisiologia, anatomia e biomecânica suficientes para poder aconselhar o seu paciente. Se não se sentir á vontade nesta área deve indicar um outro profissional mais experiente nesta matéria, para que possam trabalhar em conjunto.

Encaminhamento do paciente para um ginásio, onde acompanhado por um profissional devidamente qualificado, possa fazer: 

Exercícios activos com ou sem resistência para combater a hipotrofia. Um músculo forte alivia a carga exigida na articulação. 

Natação, os exercícios na água vão promover uma diminuição da rigidez muscular, e um aumento da flexibilidade das articulações.

Alongamentos – A flexibilidade dos tecidos é essencial para combater a rigidez e aderências articulares.

• Orientação para cuidados com relação ao uso de rampas e escadas.

• Orientação com relação à ergonomia do trabalho doméstico e/ou profissional. O Osteopata deve aconselhar o paciente em como pode proteger a/as articulação/articulações na sua vida quotidiana. 

Em osteopatia algumas técnicas utilizadas são:

- Tracções (intermitentes e livres de dor).

- Termoterapia e Crioterapia (São formas eficazes de diminuir a dor e a rigidez, ainda que temporariamente.Um banho quente pela manhã poderá melhorar significativamente o sofrimento e a rigidez matinal. A aplicação de frio ( crioterapia ), ajuda a diminuir a sensibilidade local e a reduzir a inflamação e o derrame intrarticular muitas vezes associado.). 

- Massagem Profunda (para eliminar contracturas da musculatura adjacente e respectiva cadeia muscular).

Tratamento medicamentoso:

 Há evidência que o Sulfato de Glucosamina e a Condroitina previnem e não deixam evoluir a doença, o seu uso é portanto recomendado, não existindo no entanto uma garantia que em casos mais avançados da doença este medicamento consiga fazer o efeito desejado.



Terça-Feira dia 15 de Novembro de 2011








Osteoartrose (Artrose)



Osteoartrose é um doença que atinge a maior parte da população em geral: a sua frequência aumenta com a idade, tornando-se quase generalizada a partir dos 70 anos. É uma doença que tem uma maior predominância nas articulações que suportam diariamente o peso do corpo e nas mãos. O seu aparecimento mais precoce sugere que seja secundária a outros processos patológicos, de natureza traumática, inflamatória ou metabólica.

A observação clínica sugere que a etiologia da patologia é multifactorial, ou seja, não existe uma só causa para o aparecimento da doença, mas sim várias causas. A artrose divide-se assim em 2 sub-tipos: 

Típica e Atípica.

Considera-se “Atípica” a  que surge em indivíduos jovens (antes dos 45 anos), tem instalação rápida ou afecta localizações incomuns (p.ex, ombro, cotovelo, punho, MCF ou tibiotársica. Este tipo de OA é quase sempre secundário a uma outra
causa e obriga à investigação da causa ou causas subjacentes. 

    A Osteoartrose Típica surge de forma progressiva em doentes de meia-idade ou idosos e envolve uma ou mais articulações.



    Exame Semiológico:
    A dor tem origem articular:
    • o doente localiza as dores nas articulações, podendo ter irradiação regional;
    • o exame objectivo confirma esta origem.
    O ritmo de dor é tipicamente mecânico (pode ter características inflamatórias ligeiras nos surtos de agudização).
    A instalação é lentamente progressiva, ao longo de meses ou anos.
    O exame objectivo é típico:
    • crepitação, osteófitos traduzidos por tumefacção focalizada, de consistência dura; limitação de mobilidade, activa e passiva (em fases mais avançadas);
    • ausência habitual de sinais inflamatórios (podem observar-se ligeiros sinais inflamatórios nos surtos de agudização).

    Os aspectos radiológicos confirmam o diagnóstico:
    • perda heterogénea de espaço articular ( ao contrário da perda uniforme de espaço articular sugestiva de artrite);
    • esclerose subcondral (ao contrário da osteopenia subcondral típica de artrite);
    • geodes e quistos subcondrais; osteófitos.
    • Os parâmetros de fase aguda são normais.



    Quarta-Feira dia 9 de Novembro de 2011




    Diagnóstico diferencial "Dor na Perna"

    A dor neuropática é muitas vezes esquecida, mas é situação de extrema frequência nos mais variados ambulatórios. A neuropatia periférica deve sempre ser suspeitada quando um paciente se queixa de dor em membros inferiores com as seguintes características: é geralmente bilateral e simétrica; associa-se a parestesias (dormência, formigueiro); frequentemente é referida como queimadura e começa na região plantar, se distribuindo até os joelhos; está presente mesmo ao repouso, e pode ou não piorar com a actividade física. Esse é exactamente o padrão em bota, típico das neuropatias. O exame físico pode ser normal. Porém, em geral, evidencia alterações da
    sensibilidade, principalmente a vibratória, a qual é precocemente perdida nas neuropatias. A causa mais comum é a chamada idiopática, pois um factor etiológico ainda não pode ser bem estabelecido. Em segundo lugar, está o diabetes melitus, evidenciando a necessidade da glicemia nestes casos. Outras causas a serem investigadas são: alcoolismo, que cursa com dor intensa e poupa membros superiores; insuficiência renal cronica; drogas, principalmente a quimioterapia; paraneoplasia (como no mieloma múltiplo); infecções (HIV); amiloidose e sarcoidose.



    Outra causa neurológica de extrema prevalência é a dor indicativa de radiculopatia por compressão, como a dor ciática. É geralmente de forte intensidade e respeita um dermátomo específico. Por esse motivo, é vital o conhecimento da distribuição dos dermátomos nos membros inferiores. Um acometimento sugerindo L5 ou S1 deve sempre despertar a hipótese de lesão discal, tornando o exame físico extremamente útil: Lasegue, testes de sensibilidade, reflexo patelar e aquiliano e de força muscular (flexão da coxa L2 e L3; extensão da perna L3 e L4; flexão dorsal do pé L4 e L5; extensão da coxa L4 e L5; flexão da perna L5 e S1; flexão plantar do pé S1 e S2). A raridade da doença discal degenerativa acima de L4 torna imediatamente aparente que a dor na parte anterior da coxa não deve ser tão prontamente atribuída à doença
    discal, devendo sempre ser suspeitada uma causa mais séria. A raiz mais frequentemente comprometida pela doença discal degenerativa é L5, e a irradiação usual da dor é para a nádega, pela parte posterior e lateral da coxa, pela parte lateral da perna pela articulação do tornozelo até o dorso e a sola do pé. A dor severa no hálux parece ser particularmente típica de uma lesão da raiz L5. Na lesão de L5 o paciente pode se queixar de estar tropeçando muito, caracterizando o pé caído.

    A meralgia parestésica provoca sensação de queimadura e parestesias nas regiões lateral e média da coxa. Ocorre por compressão do nervo cutâneo lateral da coxa devido à obesidade, uso de calças apertadas e também na fase final da gravidez. Muitas vezes um factor desencadeante não pode ser identificado.

    Publicado pelo Dr. José Luiz Pedroso


    Quarta-Feira dia 2 de Novembro de 2011

    Dor e osteopatia

    Em osteopatia a zona de dor é vista muito raramente como sendo o local do problema mecânico, visto que a dor esta muito mais relacionada com locais de hipermobilidade (locais onde o movimento é feito, mas com cargas e velocidades acima do normal), resultado de uma fixação articular localizada relativamente perto dos locais de hipermobilidade. Vejamos o seguinte exemplo: Zona Lombar corresponde a um segmento da coluna que compreende 5 vértebras lombares, imaginemos que em L1 e L2 existe uma fixação (as vértebras não tem mobilidade, ou a sua mobilidade esta muito reduzida), pela biomecânica as vertebras abaixo de L1 e L2 vão adquirir uma mobilidade acima do desejado para compensar a fixação de L1 e L2, ou seja irá existir um maior desgaste da articulação de L3, L4, L5 e dos grupos musculares mais próximos, culminando em dor, dor esta que tem um maior intensidade quando o corpo entra em fase de descanso (fim do dia).
    No caso acima referido o osteopata devidamente qualificado trataria a fixação (visto que é a origem da hipermobilidade), e não a zona onde doí.


    Existem vários tipos de dor dependendo do local e do seu tipo de intensidade.
    Dores musculares - É um um tipo de dor muito comum que aumenta consideravelmente quando existe uma contracção muscular.
    Dores ósseas ou sinoviais - São encontradas em grande parte das patologias reumáticas.
    Dores cápsulo-ligamentares - Transmitidas por terminações nervosas livres no caso de tracções ou torções.



    As dores referidas podem ser de dois tipos: projectadas ou referidas

    Dor projectada - A dor por irradiação radicular dá-se em forma de linha ou banda conforme a raiz referida ou região do nervo. A dissociação topográfica deve-se aos influxos nociceptivos que nascem sobre o trajecto das vias sensitivas ao nível periférico ou central.

    Dor Referida - A dissociação topográfica é feita entre duas regiões anatómicas distintas cuja inervação é determinada por ramos nervosos distintos.

    A dissociação topográfica entre a área de referência e o lugar da manifestação tecidual deve-se à concordância metamérica e uma discordância anatómica entre o dermátomo, o miótomo, o esclerótomo, o angiótomo e o enterótomo.

    A dor referida tipo I: é sentida na região local do sofrimento.
    A dor referida tipo II: é sentida sobre vários metâmeros.

    Facilitação Medular

    A facilitação Medular é responsável pelas modificações de textura dos tecidos devido a um simpaticotonia local cutânea, pelo aumento de estímulos dolorosos e pela perturbação do tônus simpático que repercute sobre as secreções glandulares e sobre a função visceral.

    Na Simpaticotonia local o tecido muscular torna-se fibroso e perde elasticidade, havendo favoecimento de disfunções dos fusos neuromusculares situados no metâmero, dependendo do nível medular facilitado.

    O estado de facilitação pode estender-se também a todos os neurónios situados no segmento medular que inerva a articulação disfuncional, comprometendo assim os elementos que compôem o metâmero:

    * Dermátomo: dermalgias reflexas ao nível dos nervos sensitivos cutâneos superficiais: locais ou a distância. Para diagnóstico, utilizamos a técnica de "rolamento".
    * Esclerótomo: dor em periósteo, articulações e/ou ligamentos: local ou á distância. Diagnóstico: Palpação das facetas e processos espinhosos.
    * Miótomo: Cadeias neuromusculares lesionais - alteração da tonicidade - sistema agonista/antagonista desequilibrado. Músculos hipertónicos encontramos ponto-gatilho e cordões fibrosos. Músculos hipotónicos fraqueza.
    * Enterótomo: disfunções neurovegetativas viscerais.


    Três parâmetros do metâmero permitem diagnosticar a lesão osteopática:
    1º - Dor na espinhosa (esclerótomo);
    2º - Dermalgia reflexa no território (dermátomo);
    3º - Alteração no tónus muscular (miótomo).


    * Angiótomo (ortossimpática): congestão local. Edema reaccional = edema do
    forame de conjugação.



    Segunda-Feira dia 31 de Outubro de 2011




    Quente ou Frio?




    É muito comum em portugal cada pessoa arranjar o seu próprio "remédio", ou porque ouviu falar ou porque o vizinho disse que funciona ( e pensamos nós que se funcionou com ele também funciona comigo), claro que na maior parte das vezes esta sabedoria popular funciona, mas não é menos verdade que pontualmente existem casos em que a emenda é pior que o soneto.

    Hoje irei falar dos efeitos do calor e do frio.

    Já à bastantes anos que são usados pelos profissionais de saúde para o alivio e tratamento de diversas patologias, o Osteopata também não é excepção e  pode utilizar estas ferramentas para o tratamento dos seus pacientes, mas a pergunta mantém-se, quando saber o que se utilizar! 
    Pois bem passo a descrever em primeiro lugar os efeitos de cada extremo da temperatura.

    Com a aplicação do frio/gelo o fluxo sanguíneo diminui, os edemas diminuem com a aplicação do frio, as situações inflamatórias são atenuadas com a aplicação do frio e promove um aumento de rigidez das articulações.

    O calor em grande parte das situações tem um efeito inverso ao do gelo, O fluxo sanguíneo aumenta, aumenta o quadro inflamatório, aumenta o edema e faz com que a rigidez muscular diminua.

    Existem situações em que ambos tem um efeito final similar, como por exemplo quente e frio diminuem a dor quando esta é causada por um espasmo/contractura muscular.


    Situações mais comuns e aplicação de quentes ou frio.

    Entroses com formação de edema - Aplica-se frio.
    Tendinites - Aplica-se frio.
    Artrose - Quente
    Lombalgia - Quente/frio embora com maior duração do alivio da dor quando aplicado o frio.
    Torci-colos - quente/frio

    Recomendações - Nunca colocar o gelo em contacto directo com a pele, correndo o risco de queimar.(deve existir sempre um pano entre o gelo e a pele).

    Estas informações aplicam-se a casos gerais, em caso de dúvidas nunca deixe de consultar um profissional qualificado, que o possa aconselhar.



    Miastenia Grave

    História

    O termo Miastenia Grave (MG) é proveniente do latim e do grego, onde “mys” = músculo, “astenia” = fraqueza, “gravis” = pesado ou severo.
    Por volta de 1900, alguns neurologistas descreveram características clínico-patológicas importantes da doença, como a relação entre a MG o timo, e a proposta de que algum agente causava fraqueza muscular. Por volta da metade da década de 1930, duas descobertas ajudaram a identificar a MG como uma doença da transmissão neuromuscular. Primeiramente, descobriu-se que inibidores da acetilcolinesterase (AChE) revertem os sintomas da MG e, posteriormente, que a transmissão na junção neuromuscular se dá através de um mediador químico que foi denominado acetilcolina (ACh).
    Blalock (1939) foi o primeiro a afirmar que os sintomas dos pacientes miasténicos portadores de timoma (tumor no timo) melhoravam após a remoção do tumor. Após esse achado, descobriu-se que a remoção do timo era benéfica também para pacientes miasténicos que não apresentavam timoma.
    A concepção de que a MG é decorrente de um transtorno imunológico foi proposta em 1960 por Simpson seu argumento baseava-se na presença de anormalidades tímicas nos pacientes miasténicos e a associação da MG com outras doenças auto-imunes. Também sugeriu que os anticorpos competiam directamente com os receptores de anti-acetilcolina/nicotínicos (AChR), bloqueando a transmissão neuromuscular.
    Em 1973 e nos anos seguintes, a natureza auto-imune da doença foi estabelecida especificamente por Fambrough e Drachman, que usaram alfabungarotoxina radioactiva para marcar os AChR em placas motoras humanas e encontraram menos sítios de ligação no músculo miasténico do que nos músculos dos grupos controle.

    Figura: 1 Mostra junção neuromuscular de uma pessoa sem miastenia e junção neuromuscular de uma pessoa com miastenia.


    Fisiopatologia da MG

    A MG pode ser considerada uma doença rara, porém tem se observado um aumento na sua prevalência, que pode ser atribuído a uma maior eficácia no diagnóstico. Essa doença manifesta-se em qualquer raça, idade e sexo e apresenta um pico de incidência entre 20-30 anos para mulheres e entre 60-70 para homens. Em Portugal, existem 400 a 500 doentes, e por ano surgem 30 a 40 novos casos (Fonte: expresso).

     Existem diferentes formas clínicas de MG. A miastenia do recém-nascido, a miastenia congénita, a miastenia de origem medicamentosa e a forma mais comum que é a miastenia auto-imune, na qual há a acção de anticorpos contra os AChR na junção neuromuscular.
     A maneira como se inicia a produção de anticorpos contra os AChR na MG auto-imune ainda é desconhecida. Existe a hipótese de que o timo teria alguma relação com a MG, porém isso ainda não é claramente definido. Pode-se dizer que a acção do timo na transmissão sináptica da junção neuromuscular na MG ocorre através da presença de um antigénio que transforma linfócitos normais em linfócitos imunocompetentes. Cerca de 75% dos pacientes com MG apresentam anormalidades no timo. O timo miasténico contem um número aumentado de células B e linfócitos T que liberam anticorpos contra AChR. Em decorrência a estímulos desconhecidos, as células mióides do timo se danificam provocando uma falha no mecanismo supressor de linfócitos T de ajuda (helper) propiciando um aumento incontrolado de anticorpos contra os AChR, produzidos pelos linfócitos B.
    Outras possibilidades compreendem, na ocorrência de uma infecção viral que poderia alterar as propriedades da superfície da placa motora, tornando-a imunogénica ou na presença de antígenios virais ou bacterianos que compartilhem epítopos com o AChR, de modo que, quando uma pessoa é infectada, os anticorpos gerados contra o organismo estranho também podem reconhecer o AChR.
    Apesar de não ter sido comprovada a maneira como se inicia a produção de anticorpos, estes interferem na interacção da ACh com seus receptores. Na MG, os anticorpos ligam-se aos AChR induzindo sua internalização e degradação. Assim, quando a ACh é liberada na junção neuromuscular, as chances da molécula de ACh encontrar um receptor antes de ser hidrolisada pela acetilcolinesterase (AChE) torna-se menor visto que a densidade de AChR está reduzida. Além disso, algumas mudanças morfológicas, tais como a alteração na geometria da placa motora, a redução das dobras juncionais e o alargamento da fenda sináptica, levam à difusão da ACh para longe da fenda e diminuem ainda mais a probabilidade da ACh interagir com receptores funcionais ainda presentes.

    A fraqueza da musculatura cervical faz com que a manutenção da cabeça seja cansativa. Frequentemente, há fraqueza dos músculos proximais dos membros produzindo dificuldade para subir escadas e levantar os braços, mas os membros dificilmente são afectados isoladamente. A fraqueza dos músculos respiratórios nos pacientes com MG geralmente é sintomática, podendo variar desde uma dispneia em repouso até uma dispneia decorrente de esforço intenso. A alteração do volume pulmonar pode levar a áreas de atelectasia e consequente hipoxemia, pode haver hipercapnia, como resultado da hipoventilação, e debilidade do reflexo de tosse, devido a fraqueza dos músculos expiratórios.
    Os músculos enfraquecidos apresentam atrofia, mas os reflexos estão preservados. Outro sinal clínico importante é a fadiga muscular decorrente da estimulação repetitiva dos nervos, que prejudica o poder de contracção muscular e leva a paralisia progressiva. Vale ressaltar que, nessa situação, o repouso restaura parcialmente a força muscular.




    Tratamentos

    As drogas anticolinesterásicas são usadas para o alívio sintomático, que raramente é completo, não alterando a evolução da doença. Essas drogas permitem a ACh uma disponibilidade maior na fenda sináptica e consequentemente uma maior probabilidade de se fixarem aos receptores remanescentes.
    Corticosteróides podem ainda ser utilizados quando os pacientes não apresentam boas respostas ao uso dos anticolinesterásicos.
    Os imunossupressores inibem a proliferação celular, suprimindo assim a imunidade celular e humoral; sendo que os mais conhecidos são: azathioprina, ciclofosfamida e metotrexato. Seus efeitos colaterais estão limitados ao uso prolongado das drogas. Alguns autores não encontram diferenças significativas quanto ao uso da azathioprina do corticóide, e por isso recomendam o tratamento com imunossupressor para reduzir a dose de corticóides.
    No tratamento com altas doses de gama globulina intravenosa supõe-se que haja um bloqueio dos anticorpos por inibição competitiva deixando livre os AChR da placa motora. Outra possível forma de actuação é a diminuição da produção de anticorpos contra os AChR por um mecanismo de feedback negativo. Este tratamento está praticamente isento de efeitos colaterais, porem um de seus inconvenientes é seu elevado custo, fazendo com que seja necessária uma correcta selecção dos pacientes.
    A plasmaferese tem sido usada terapeuticamente em pacientes com MG auto-imune e apresenta grande valia quando utilizada para: 1º preparar o paciente para a timectomia; e 2º reverter as manifestações da doença nos episódios mais graves (crises), produzindo uma redução rápida dos níveis de anticorpos contra AChR.
    A remoção cirúrgica de timoma e a timectomia são dois procedimentos distintos. Quando há timoma, a remoção cirúrgica é necessária devido à possibilidade de disseminação. Na ausência de tumor, até 85% dos pacientes apresentam alguma melhora após a cirurgia e 35% podem apresentar remissão da doença. Porém a relação entre timectomia e a melhoria ou remissão da MG ainda trás dúvidas.

    Estes tratamentos têm permitido uma melhoria significativa no prognóstico para os pacientes com MG.
    Entretanto, apesar da possibilidade de remissão, a estabilização ou a continuidade da progressão da doença ainda são os resultados mais frequentes.

    Osteopatia e MG

    Alguns trabalhos propõem a recuperação/treinamento da musculatura respiratória como tratamento coadjuvante da MG.
    Keenan e colaboradores (1995) realizaram um estudo com dezassete pacientes (nove homens e oito mulheres) com o objectivo de avaliar a força dos músculos respiratórios (pressão inspiratória e expiratória máxima), resistência e espirometria, antes e vinte minutos após a administração de neostigmina, comparando os pacientes com indivíduos normais. Os pacientes com envolvimento isolado da musculatura ocular apresentaram força normal dos músculos respiratórios e os pacientes com MG generalizada apresentaram uma redução da força e da resistência dos músculos respiratórios. Nesses casos, a administração de neostigmina produziu um aumento significativo da pressão inspiratória máxima. Os autores observaram ainda que o treinamento da musculatura respiratória propiciou uma melhora na força, principalmente, dos músculos inspiratórios.
    Em um outro estudo, Weiner e colaboradores (1998) buscaram determinar os efeitos do treinamento dos músculos respiratórios através de espirometria, classificando os diferentes graus de dispneia, em pacientes com MG generalizada. Os autores observaram que o treinamento da musculatura inspiratória, isolado ou combinado com o treinamento da musculatura expiratória, melhora a força e a resistência dos músculos respiratórios. A melhora na performance da musculatura respiratória acompanhou-se da melhora da função pulmonar e redução da dispneia.
    Finalmente, Lena-Eva e colaboradores (1993) buscaram determinar se pacientes com MG leve poderiam aumentar sua força muscular ou sua resistência à fadiga através de treinamento físico. Os pacientes seleccionados aleatoriamente realizaram exercícios de contracção isométrica máxima repetida, com duração de dois a quatro segundos e dez segundos de descanso nos membros superior e inferior, usando como controle os membros superior e inferior contra laterais. Para o teste de fadiga, os pacientes foram submetidos a contracções máximas com duração de três segundos e dois segundos de descanso. Os autores observaram que um treinamento muscular isométrico não apenas pode ser executado com segurança na MG leve, mas também produz certa melhora na força muscular, sem efeitos colaterais negativos.
    Esses estudos mostram que o treinamento da musculatura respiratória e o treinamento isométrico de determinados grupos da musculatura apendicular podem ser utilizados como terapia complementar em pacientes com MG por reduzir a dispneia, retardar as crises respiratórias e produzir certa melhora na força muscular dos membros.